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06/08/2017 às 08h00min - Atualizada em 07/08/2017 às 22h45min
 
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Preconceito limita procura por vacina contra HPV em Alagoas

Mesmo disponível em quantidade suficiente nos postos de saúde dos 102 municípios alagoanos, a vacina contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) não tem sido procurada pelo público-alvo determinado pelo Ministério da Saúde (MS). Uma situação que vem preocupando os órgãos de saúde no Estado.

O preconceito e falta de informação podem ser motivos para a baixa procura pela vacina contra o HPV ressalta a gerente do Programa Nacional de Imunização em Alagoas (PNI/AL). “Não é população que procura o serviço de saúde. Alguns pais têm preconceito achando que é um incentivo a iniciação sexual. Por isso, os serviços de saúde precisam se organizar para atender esse grupo, isto é, buscar o adolescente onde ele está como por exemplos nas escolas”, ressaltou Arlete Rodrigues de Farias.

Em Alagoas têm 139,4 mil adolescentes do sexo masculino, entre 11 e 15 anos incompletos (14 anos, 11 meses e 29 dias), que deveriam ser vacinados contra HPV. A meta era imunizar 80% desse público, o que representaria cerca de 110 mil jovens. Já o total de meninas no Estado que fazem parte do público-alvo era de 234,3 mil crianças e jovens do sexo feminino com idade entre nove e 15 anos, sendo que a meta também é 80%, correspondendo a 187,4 mil meninas.

No entanto, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), a análise da vacinação contra HPV em Alagoas, no período de 2013 a março de 2017, mostra que os resultados deixam a desejar, com cobertura no grupo de meninas de 74,5% para 1ª dose e 46% para a 2ª dose. No grupo de meninos, considerando a vacinação em 2017 (ano de implantação), o percentual para a 1ª dose ficou muito abaixo dos 10%.

Somente 22 municípios alagoanos apresentaram coberturas adequadas para a população feminina (D1, D2 maior ou igual a 80%). Para o grupo de meninos com idade entre 12 e 13 anos (faixa etária implantada em 2017) 24 municípios não registrou nenhuma dose.

De acordo com a Sesau detecta-se com esse resultado a existência de importante quantitativo de não vacinados, ou seja, há um resíduo de quase 330 mil adolescentes que ainda devem ser vacinados no Estado.

Do total de meninas que deveriam tomar a vacina foi registrado na primeira dose 66.688 e na segunda dose 127.670. Do total de meninos 64.874 meninos do grupo de 12 a 13 anos que precisam tomar a 1ª dose e 70.285 meninos do grupo de 12 a 13 anos que precisam tomar a 2ª dose. A população de meninos com da faixa de 14 anos ainda não foi disponibilizada

Desde o início da vacinação, em 2014, foram enviadas 515.9 mil doses ao estado para imunização contra HPV. O Ministério da Saúde alerta para a baixa adesão à vacina. As secretarias estaduais de saúde de todo o país já foram comunicadas pelo MS sobre a ampliação da faixa etária de vacinação de HPV, que tem como objetivo aumentar a cobertura vacinal nos adolescentes do sexo masculino.

De janeiro a março, 24 municípios não têm procura

De acordo com a nota técnica divulgada pela Sesau na cobertura vacinal do HPV 2017, dos 102 municípios, apenas 22 apresentaram coberturas adequadas para a população feminina na D1, D2 maior ou igual a 80% para o período.

As cidades que tiveram o alcance foram: Arapiraca, Barra de Santo Antônio, Boca da Mata, Branquinha, Cajueiro, Chã Preta, Coqueiro Seco, Ibateguara, Igaci, Joaquim Gomes, Junqueiro, Marechal Deodoro, Messias, Novo Lino, Ouro Branco, Pilar, Pindoba, Rio Largo, Roteiro, Santa Luzia do Norte, Satuba e Traipu.

MENINOS

Para o grupo de meninos na faixa etária de implantação em janeiro de 2017 (12 a 13 anos), não há registro de doses de janeiro a março desse ano em 24 municípios sendo eles; Branquinha, Canapi, Feliz Deserto, Jacaré dos Homens, Jacuípe, Japaratinga, Jequiá da Praia, Jundiá, Lagoa da Canoa, Marechal Deodoro, Mar Vermelho, Mata Grande, Messias, Minador do Negrão, Monteirópolis, Novo Lino, Olho D’Água das Flores, Olho D’Água do Casado, Olho D’Água Grande, Pão de Açúcar, Passo de Camaragibe, Pindoba, Piranhas e Porto de Pedras.

O MS resolveu ampliar a faixa etária de meninos (11 a 14 anos), de acordo com a Nota informativa nº 154. Segundo o MS, a ampliação da faixa etária (meninos) para 11 a 14 anos (14 anos 11 meses e 29 dias) reduzirá o impacto dos desfechos negativos em relação ao HPV na população masculina e feminina.

AÇÕES

A Sesau ressalta que é necessário intensificar ações de vacinação considerando a disponibilidade de imunobiológicos distribuído aos municípios. E recomenda ainda ações de informação aos pais quanto à importância de vacinar seus filhos contra o HPV e do cartão de vacina e intensificar ações educativas na comunidade pela equipe da Atenção Básica, quanto à importância da prevenção do HPV, além de realizar intensificação vacinal principalmente nas escolas públicas e privadas para alcance da meta.

PREVENÇÃO

O infectologista Fernando Maia ressalta a importância da vacinação porque ela para redução da incidência de doenças como o câncer de colo de útero e vulva nas mulheres. E nos meninos imuniza e previne contra o câncer de pênis, ânus, verrugas genitais, boca e até orofaringe.

País é primeiro na América do Sul a fornecer a anti-HPV

A vacina contra o HPV para os meninos passou a ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano, contemplando os meninos de 12 a 13 anos. Até o ano passado, era feita apenas em meninas. O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunizações.

A inclusão desse público é equivalente a 3,3 milhões de adolescentes no país. A meta do MS em 2017 é vacinar 80% dos 7,1 milhões de meninos de 11 a 15 anos e 4,3 milhões de meninas de 9 a 15 anos. Também terão direito a vacina, a partir de agora, homens e mulheres transplantados e oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia. Também terão direito cerca de 200 mil crianças e jovens, de ambos os sexos, de 9 a 26 anos vivendo com HIV/aids, a se vacinar contra HPV.

O anúncio das mudanças foi feito no dia 20 de junho pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, em coletiva de imprensa.

Para conscientizar os meninos na busca da vacina, o MS planeja ainda para esse mês, campanha direcionada a este público, com o intuito de aumentar a cobertura nessa população. Além disso, a vacina de HPV também fará parte do elenco de vacinas a serem ofertadas na Campanha de multivacinação que acontecerá no período de 11 a 22 de setembro. O Dia D da campanha de vacinação será dia 16 de setembro.

VALIDADE

Dos estoques nacionais da vacina HPV, não existem doses com vencimento para este ano e nem para 2018. Desde o início da vacinação em 2014, o Ministério da Saúde distribuiu 26,3 milhões de doses da vacina a todos estados do país e DF. Destes, cerca de 1 milhão foram encaminhados neste ano.

Mas, atualmente, existem 2,1 mil doses nos estados e municípios para vencerem em junho e 231 mil doses com vencimento em agosto deste ano. No mês de setembro, o estoque de vacinas por vencer é de 233,7 mil doses. Outras 1,1 milhão de doses têm a validade de vencimento no primeiro semestre de 2018, totalizando 1,6 milhão de doses a vencer até esse período.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI), Carla Domingues, disse que, embora uma perda de 5% das vacinas distribuídas nos postos de vacinação, em função de condições logísticas e operacionais de vacinas, seja considerada aceitável, o MS trabalha para que não haja nenhum desperdício.

COBERTURA VACINAL

Desde o início da vacinação em 2014, até 2 de junho deste ano, foram aplicadas 17,5 milhões de doses na população feminina de todo o país. Na faixa etária de 9 a 15 anos, no mesmo período, foram imunizadas com a primeira dose 8,6 milhões de meninas, o que corresponde a 72,45% do total de brasileiras nesta faixa etária. Recebeu o esquema vacinal completo, de duas doses, recomendado pelo Ministério da Saúde, 5,3 milhões de meninas, o que corresponde a 45,1% do público-alvo. Já em relação aos meninos, de janeiro a 02 de junho deste ano, 594,8 mil adolescentes de 12 a 13 anos se vacinaram com a primeira dose da vacina de HPV, o que corresponde a 16,5% dos 3,6 milhões de meninos nessa faixa etária que devem se imunizar.

ESQUEMA VACINAL

A vacina disponibilizada no SUS é a quadrivalente e já é ofertada, desde 2014, para as meninas. Confere proteção contra quatro subtipos do vírus HPV (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia para quem segue corretamente o esquema vacinal.

Para os meninos, a estratégia tem como objetivo proteger contra os cânceres de pênis, garganta e ânus, doenças que estão diretamente relacionadas ao HPV. A definição da faixa etária para a vacinação visa proteger meninos e meninas antes do início da vida sexual e, portanto, antes do contato com o vírus. (Com assessoria)

Fonte: Lucas França- Tribuna Independente





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