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03/12/2017 às 14h25min - Atualizada em 03/12/2017 às 14h25min
 
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HIV/Aids: infectologista fala sobre os perigos da doença que voltou a crescer em Alagoas



Considerada por muitos cientistas e pelo senso comum como a doença do século XX, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ou a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) já foi responsável por milhões de mortes em todo o mundo, mas nos dias de hoje graças ao avanço da medicina, a doença se tornou totalmente tratável e capaz de prolongar a vida como uma pessoa sem o vírus.

Mesmo assim, muita gente ainda acaba contraindo o HIV pela imprudência ou pela falta de instrução, apesar das inúmeras campanhas diárias na TV, rádio, sites, panfletagens, escolas, posto de saúde e entre outros. Por isso, a reportagem do CadaMinuto foi até o Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), referência em Alagoas no tratamento contra a Aids, e entrevistou o médico infectologista Fernando Maia, especialista no tratamento de pessoas que contraíram a doença, para saber mais de como evitar a doença e também de como evitar que ela se espalhe.



Dados disponibilizados pelo Hospital Helvio Auto revelam que em 2017 houve um aumento do número de casos de HIV em todo o estado de Alagoas. Foram 527 registrados, 127 a mais de quem 2016, que contabilizou 400. Para Fernando Maia, o número assusta, visto que casos em idosos com mais de 80 anos triplicaram e de jovens entre 20 e 34 anos ainda são maioria.

“É preocupante. O número está aumentando em jovens que estão começando a entrar na vida sexual e já deviam estar se protegendo e não estão, e em pessoas idosas que já deveriam estar mais reservadas nesse sentido, mas não estão. Estes jovens estão se expondo ao risco desnecessariamente por não serem orientadas adequadamente. Já em relação aos idosos, hoje existem várias ferramentas que permitem as pessoas prolongarem a vida sexual”, explicou Fernando Maia.


O infectologista ainda citou um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao qual indica que o indivíduo que possuir mais de dois parceiros sexuais por ano pode ser considerado promíscuo, ou seja, o risco de contaminação aumenta bastante caso este indivíduo ultrapasse essa quantia.

As principais formas de transmissão continuam sendo as relações sexuais sem proteção (exceto o sexo oral), contato direto com o fluido sanguíneo de um infectado com o sangue de um não infectado e a transmissão direta da mãe com HIV para o filho que está na barriga. Os fluidos como sêmen, secreção vaginal e o leite materno, além do sangue, são altamente infectantes. Saliva, urina, lágrimas, fezes e suor não transmitem a doença.



Sendo assim, o médico explica que a melhor opção a se fazer para a doença que não existe cura ainda é a prevenção. O uso da camisinha é essencial nesse sentido e a precaução em usar materiais infectados deve ser sempre mantida. “Apesar de todas as campanhas de esclarecimento, apesar da facilidade de acesso de tratamentos e da facilidade de acesso a preservativos, as pessoas continuam se infectando. Então, a prevenção continua sendo a melhor forma de lidar com a doença. Portanto, os três pilares da prevenção são o diagnóstico precoce, o tratamento universal, o uso de preservativo e a redução do número de parceiros sexuais”, disse.

O posto de saúde do PAM Salgadinho, o Hospital Universitário e o Hospital de Doenças Tropicais do HEHA realizam os testes rápidos gratuitos para qualquer pessoa. O exame é realizado com sangue retirado da ponta do dedo do paciente e colocada em um equipamento que detecta, em torno de apenas 30 minutos, se há ou não o vírus do HIV presente.



A partir do momento em que o sangue é coletado e é detectado o vírus no paciente, logo em seguida há um acompanhamento médico especializado para tratamento imediato da doença. De acordo com Fernando Maia, ainda é preciso fazer um outro exame confirmatório para ter a total certeza da Aids no paciente. “Confirmando a doença, são feitos vários outros exames para saber em qual estágio de imunodeficiência aquela pessoa está para poder iniciar o tratamento, fazer alguma profilaxia, se for o caso, e tratar alguma infecção que ele tenha e ele não saiba”.

Todo o tratamento que envolva o HIV é gratuito e coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde os exames até o uso do coquetel para tratamento. “O coquetel são três drogas que a gente associa, dependendo de cada paciente. Tomando o coquetel há uma interrupção da progressão da doença, ela para de se multiplicar, para de infectar outras pessoas e o pessoa [infectada] leva uma vida comum”, explicou Fernando.


Praticamente não há restrições para quem sofre da doença, desde que haja a responsabilidade de tomar os remédios no horário exato e de que ela sempre use o preservativo, além de não poder mais ser doador de órgãos e nem de sangue por motivos óbvios.

Os sintomas podem aparecer rapidamente entre 4 a 6 semanas com alguma infecção grave como uma pneumonia ou uma meningite, ou um quando há viral inespecífico como febre, inchaço das glândulas do pescoço e/ou das axilas, diarreia e entre outros. Porém, ela também pode se manifestar, com os mesmos sintomas, cinco anos após contrair a doença.

Um outro problema relacionado a descoberta da Aids é de como o paciente pode aceitar a doença. Portanto, o infectologista destacou a importância de um acompanhamento psicológico em um momento tão difícil. “O HIV é uma doença muito complexa. Então na verdade o paciente precisa de um acompanhamento multiprofissional. Do médico, passando pela enfermagem que faz toda a orientação da medicação, nutricionista, psicólogo e assistente social, além de passar pela fisioterapia ou terapia ocupacional, se houver a necessidade”.



Em Alagoas, de janeiro a 25 de novembro deste ano já foram notificados 527 casos, enquanto que no mesmo período em 2016 foram registrados 400. Destes 527, os homens são maioria com 340 infectados contra 187 das mulheres. A média de idade chama atenção entre os jovens e adultos de 20 a 34 anos, com 234 registrados, e de idosos, com três somente neste ano.

Atualmente, cerca de 2.200 pacientes, provenientes de todo o Estado de Alagoas, são tratados ambulatoriamente pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE) do Hospital Helvio Auto;

Segundo relatórios da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgados na quinta-feira, 30, revelam que 64% dos novos casos de HIV na América Latina ocorrem em homens gays, profissionais do sexo e seus clientes, mulheres trans, pessoas que usam drogas injetáveis e nos parceiros dessas populações-chave, onde um terço dessas novas infecções ocorrem entre jovens de 15 a 24 anos.

Desde que foi descoberta, a Aids já matou 35 milhões de pessoas em todo o mundo, um milhão delas somente no ano passado. Quase 21 milhões de pessoas portadoras do HIV estão em tratamento no mundo.



Visando combater e mostrar as pessoas o quão perigoso é o HIV, foi implementado no Brasil a campanha “Dezembro Vermelho”, onde são realizados exames gratuitos, panfletagem, carros de sons e outros métodos durante todo o mês para a prevenção da doença.

No dia 1 de dezembro foi comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Pensando nisso, o HEHA realizou testes rápidos abertos a população para detectar o vírus, além de orientações pré e pós-testes, no SAE. Um stand também foi utilizado para distribuição dos laços vermelhos da solidariedade e preservativos para usuários e servidores, além de prestação de informações e orientações sobre uso correto do preservativo e maneiras de evitar o contágio.

O infectologista Fernando Maia destacou a importância da data e do mês para chamar a atenção do público em geral, independentemente de classe social, cor e sexo. “As pessoas parecem que estão perdendo o medo de contrair a doença. Então é importante que se faça um dia para se refletir, para se falar sobre isso e para a conscientização da necessidade de se proteger”, concluiu.

A data foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde realizada em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV. No Brasil passou a ser adotada a partir de 1988 por uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.

Fonte: Cadaminuto





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